Bancos de desenvolvimento anunciam investimento bilionário contra poluição plástica nos oceanos

Um grupo formado por seis bancos públicos de desenvolvimento renovou um compromisso financeiro para enfrentar um dos maiores desafios ambientais do século: a poluição plástica nos mares. Nesta segunda-feira, 9 de junho, durante a terceira edição da Conferência dos Oceanos (UNOC3), em Nice, na França. Anunciaram a segunda etapa da Iniciativa Oceanos Limpos (Clean Oceans Initiative 2.0).
A Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD); da França; o Banco Europeu de Investimento (BEI), da União Europeia; o Instituto de Crédito para Reconstrução (KfW), da Alemanha; o Fundo de Depósitos e Empréstimos (CDP), da Itália; o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), do Reino Unido. Também inclui o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD), sediado nas Filipinas. Eles estabeleceram uma meta de financiamento conjunto de € 3 bilhões (aproximadamente R$ 19,1 bilhões) para o período de 2026 a 2030.
Iniciativa Oceanos Limpos
A Iniciativa Oceanos Limpos, lançada em 2018, é um dos maiores esforços multilaterais. Ela se dedica ao financiamento de projetos que reduzem a poluição por plástico no mar.
Em maio deste ano, atingiu sua meta de arrecadar € 4 bilhões (R$ 15,8 bilhões). Esse montante se destina ao financiamento de longo prazo para projetos públicos e privados. Esses projetos visam reduzir o despejo de plásticos, microplásticos e outros resíduos nos oceanos. Isso é feito por meio da melhoria da gestão de resíduos sólidos, águas residuais e águas pluviais.
Exemplos de projetos incluem a melhoria do tratamento de águas residuais no Sri Lanka, na China, no Egito e na África do Sul. Já a gestão de resíduos sólidos é feita no Togo e no Senegal. A proteção contra inundações ocorre no Benim, no Marrocos e no Equador.
A Iniciativa Oceanos Limpos 2.0 se concentra em projetos em áreas costeiras. A ênfase está em abordar a poluição plástica que entra no oceano. Especialmente na Ásia, na África e na América Latina. Nessas regiões, a gestão inadequada de resíduos e água nos principais sistemas fluviais continua sendo um desafio crítico.
Além disso, também dá ênfase à prevenção de resíduos e apoio a soluções de economia circular, incluindo projetos que desenvolvam alternativas ao plástico.
“Vemos que há um papel para nós”, conforme Stefanie Lindenberg, líder do projeto BEI, à Reuters. Ela acrescentou que o banco poderia ajudar a diminuir o risco de desenvolver novas tecnologias, bem como tipos de embalagens e produtos. Isso pode ser feito fornecendo financiamento mais barato, subsídios ou investimentos em fundos de terceiros.
Ecossistema vital
Os oceanos são vitais para a vida na Terra, assim fornecendo alimentos, renda, regulação do clima e recursos naturais para bilhões de pessoas. Eles absorvem cerca de 30% das emissões globais de dióxido de carbono, ajudando a amortecer os efeitos das mudanças climáticas.
Mas a poluição plástica é uma grande ameaça. De acordo com a ONU, se as tendências atuais continuarem, a quantidade de resíduos plásticos que entra nos mares a cada ano poderá triplicar. Pode passar de cerca de 11 milhões de toneladas em 2021 para 23 a 37 milhões de toneladas até 2040. Atualmente, estima-se que apenas os microplásticos sejam responsáveis por 1,5 milhão de toneladas que entram nos ecossistemas marinhos a cada ano.





