Vale Refeição
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Fazenda estima que trabalhador terá economia de R$ 225 por ano com novas regras para o vale-refeição

Governo calcula impacto total de R$ 8 bilhões com redução de tarifas e ampliação da concorrência no setor – Foto: Reprodução

O Ministério da Fazenda estima que as novas regras para o vale-refeição e alimentação terão impacto econômico de cerca de R$ 8 bilhões por ano. Isso representa uma economia média de R$ 225 por trabalhador.

A estimativa foi divulgada pela Secretaria de Reformas Econômicas. Ela leva em conta o número de beneficiários do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Considera também o volume de recursos movimentado. Além disso, avalia as reduções de custos esperadas com medidas como o teto nas tarifas cobradas dos estabelecimentos e o aumento da concorrência entre as operadoras.

Segundo a Fazenda, as mudanças devem resultar em melhores serviços, mais inovação e ampliação da rede de aceitação dos vales. Além disso, deve ocorrer a redução de custos operacionais para empresas e consumidores.

O que muda com o decreto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, nesta terça-feira, 11 de novembro, o decreto que regulamenta assim as novas regras do vale-refeição e alimentação. Assim sendo, as principais mudanças incluem:

Teto de 3,6% na taxa cobrada de restaurantes por empresas de vale-refeição — dessa forma, o prazo de adaptação é de 90 dias;

Interoperabilidade entre as bandeiras, permitindo que qualquer maquininha de cartão aceite vales de diferentes operadoras — entra em vigor em 360 dias;

Prazo máximo de 15 dias para repasse dos valores aos lojistas — hoje, esse prazo pode chegar a 60 dias;

Obrigatoriedade de migração para modelo aberto em até 180 dias para sistemas de pagamento com mais de 500 mil trabalhadores;

Proibição de práticas abusivas, como deságios, prazos incompatíveis e vantagens financeiras fora do escopo alimentar;

Obrigação de orientação aos trabalhadores e cumprimento integral das normas do PAT pelas empresas beneficiárias.

As novas regras não alteram o valor do benefício recebido pelos trabalhadores, que continuará destinado exclusivamente à alimentação.

Impacto para o trabalhador e o comércio

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), afirmou que as taxas cobradas hoje chegam a 15%. Assim a limitação deve ampliar o número de estabelecimentos que aceitam o vale.

“Esse decreto é bom para supermercados, restaurantes, padarias, hortifrutis — para quem vende alimentos em todo o Brasil. Se é bom para todo mundo, é bom para o trabalhador também”, disse Lula após a assinatura.

De acordo com o governo, o encurtamento dos prazos de repasse e a redução das taxas devem facilitar o ingresso de pequenos e médios comércios no sistema. A expectativa é que a economia gerada seja repassada gradualmente aos consumidores.

Setor apoia as mudanças

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, afirmou que o decreto vai ampliar a concorrência e reduzir custos.

“Temos certeza de que haverá uma transferência de mais de R$ 10 bilhões que hoje ficam na intermediação para milhões de estabelecimentos em todo o país”, disse.

Em nota, a Câmara Brasileira de Benefícios ao Trabalhador (CBBT) considerou as medidas favoráveis ao mercado, afirmando que “corrigem distorções no Programa de Alimentação do Trabalhador” e fortalecem as políticas públicas voltadas aos empregados.

Como funcionam os arranjos abertos e fechados

Arranjo aberto: uma empresa define a bandeira do cartão, outra emite o benefício e uma terceira credencia os estabelecimentos — modelo mais competitivo e interoperável.

Arranjo fechado: todas essas funções são exercidas pela mesma empresa, o que restringe a concorrência e aumenta custos.

G1

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