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A onça parda que atacou o pittbull Ragnar, da família Ramos, na Zona Norte de São Paulo. — Foto: Montagem/g1/Acervo pessoal

A família da administradora Mirella Ramos viveu momentos de tensão na madrugada desta quinta-feira, 6 de agosto, quando uma onça-parda, também conhecida como suçuarana, invadiu a casa onde moram, na região da Serra da Cantareira, na Zona Norte de São Paulo.

Já passava das 3h quando Mirella se levantou da cama para amamentar a filha de três meses. Nesse momento, o cachorro da família, o pitbull Ragnar, correu pela casa ao ouvir um barulho vindo do corredor.

Mirella estranhou a reação repentina do animal, que costuma acompanhá-la por todos os cômodos da casa, independentemente do horário. Em seguida, ela ouviu um rosnado, como se houvesse uma briga do lado de fora, e chamou o marido para verificar o que estava acontecendo.

Com o corredor ainda escuro, o marido da administradora viu que o pitbull brigava na porta dos fundos com um animal que ele não conseguia identificar. Ele tentou puxar o cachorro pela pata para identificar o outro animal e, quando percebeu, estava diante de uma onça-parda adulta, que brigava intensamente com o cachorro da família.

“A primeira reação dele foi trancar a porta e dizer: entra pro quarto com as crianças porque é uma onça. É o Ragnar ou nós”, contou Mirella.

“Como a onça foi pega pelo Ragnar bem na porta, a gente acredita que ela já estava dentro da nossa casa quando ele sentiu o cheiro e saiu em disparada. Se não fosse ele, uma tragédia podia ter acontecido com as nossas crianças”, afirmou a administradora.

A briga entre o cachorro e o animal só cessou quando a filha do meio do casal, de apenas 3 anos, começou a chorar e pedir que o cachorro voltasse para o quintal.

Foi então que o animal se desvencilhou da onça e conseguiu acessar a outra entrada da casa, onde a porta foi aberta para que ele pudesse ser socorrido.

Câmeras de segurança do local registraram a movimentação da onça dentro do condomínio, horas depois da briga com o cachorro.

“Como é um condomínio fechado, a gente tinha o hábito de deixar a porta do fundo entreaberta para o Ragnar ir fazer xixi do lado de fora. Nesses seis meses que a gente mora aqui, houve relatos no condomínio da presença de vários animais silvestres, mas da onça só havia comentários aqui e ali de que ela tinha sido vista”, contou.

“A gente nunca ia imaginar que ela iria atacar o nosso cachorro”, declarou Mirella Ramos.

g1 entrou em contato com o condomínio Itaguaçu, onde a família mora, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que nem a Guarda Civil Metropolitana (GCM) nem a Divisão da Fauna Silvestre (DFS) foram acionadas para essa ocorrência. E que, “diante do caso, a DFS apurará os fatos”

Cachorro ficou ferido

Ragnar teve o rosto rasgado pela onça e teve até uma veia do coração comprometida. Ele foi submetido a uma cirurgia de emergência e, enquanto ainda estava sob cuidados veterinários, a onça reapareceu no dia seguinte na escadaria da casa da família.

“Dessa vez a gente tava com tudo trancado. Mas ela já sacou que tem um animal ali que pode ser uma presa. Chamei a segurança do condomínio, mas eles só vieram com um segurança de moto. O que um cara sozinho vai conseguir fazer contra uma onça-parda, meu Deus?”, desabafou.

Mirella disse que já ligou para o serviço florestal e para a Defesa Civil municipal, mas não conseguiu nenhum tipo de ajuda para o caso.

“Depois do ataque, os vizinhos já abriram mais de 20 chamados, mas a Defesa Civil disse que só pode ir até lá se há um número grande de pedidos. Eles não dizem o que é um número grande. Mas estou apavorada, com medo dela voltar e surpreender algum de nós novamente chegando em casa”, contou.

A família Ramos demorou quase cinco anos para construir a casa dos sonhos, onde desejava criar as três filhas perto da natureza e longe do barulho da metrópole.

Porém, a matriarca da família já pensa até em vender a casa caso a onça não seja capturada.

“Vai ser muito difícil pra gente continuar morando aqui se essa onça não for encontrada e levada para um local mais adequado. Nós estamos apavorados e queremos que alguma autoridade tome alguma providência”, disse ela.

Tratamento de Ragnar

Ragnar levou 32 pontos na cabeça e perdeu as funções do lado esquerdo do rosto, além de perder parte da gengiva.

O pitbull precisa passar por uma segunda cirurgia, mas a família já gastou quase R$ 10 mil no tratamento do cachorro.

Eles fizeram uma vaquinha online para tentar arrecadar parte do dinheiro necessário para manter o animal internado na clínica de reabilitação, mas não tiveram dinheiro para pagar o tratamento. O animal está sendo medicado em casa.

“O Ragnar foi um pedido da minha filha mais velha, que sempre quis ter um pitbull. Ele é treinado, mas um bobão com as crianças dentro de casa. Dorme com as crianças, brinca e protege as meninas pequenas. A família está sofrendo muito com as condições de saúde dele, infelizmente”, disse a tutora do animal.

Na descrição da vaquinha, a família diz que Ragnar foi um herói que salvou a família de um desfecho trágico.

“Ele realmente foi um herói. A gente acha que ele sentiu o cheiro de algo diferente dentro de casa e foi pra cima. Defendeu a gente com toda sua força, mesmo em desvantagem de força, tamanho e instinto. Todo sacrifício por ele não será em vão. Mas, além do tratamento, a gente quer uma solução para a presença da onça dentro do condomínio”, disse Mirella Ramos.

O que diz a prefeitura

“A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), informa que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Divisão da Fauna Silvestre (DFS) não foram acionadas para essa ocorrência. Diante do caso, a DFS apurará os fatos.

As pastas orientam a população que, ao se deparar com animais silvestres, estejam eles feridos ou em situação de risco, não tente capturá-los ou afastá-los por conta própria. O munícipe deve acionar imediatamente a Guarda Civil Metropolitana (GCM), pelo telefone 153, ou a Divisão da Fauna Silvestre (DFS) da SVMA, pelo WhatsApp (11) 95220-0219, disponível diariamente das 8h às 17h. As equipes técnicas fornecerão as informações adequadas para lidar com a situação com segurança e, em casos de necessidade de manejo do animal, equipes especializadas da GCM atuarão na remoção segura do animal.

A SMSU informa ainda que a Guarda Civil Metropolitana mantém seis Inspetorias e uma Base de Defesa Ambiental distribuídas estrategicamente pela capital, responsáveis pelo patrulhamento de áreas verdes e pelo resgate de fauna silvestre em área urbana.”

G1 SP

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