Tsunami do PL supera onda da direita de 2018 e bate recordes no Congresso

A vitória da direita nas eleições de 2026 vai além do resultado de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a apuração do primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Candidatos do partido do senador bateram recordes de votação na Câmara e dominaram o Senado e as assembleias legislativas. Apoiadores do Flávio também são maioria entre os governadores eleitos em primeiro turno.
A onda da direita nesta eleição é um movimento mais forte do que o registrado em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República e levou consigo diversos aliados, e em 2022 quando, embora Lula tenha vencido as eleições gerais, candidatos da direita garantiram espaço no Legislativo.
No Congresso, o PL teve o melhor resultado da história. Por Minas Gerais, Nikolas Ferreira conquistou a reeleição com mais de 3,1 milhões de votos e consagrou-se o deputado mais votado do país na história. Ele é seguido pelo colega de sigla Lucas Pavanato, vereador de São Paulo que conquistou uma vaga na Câmara com pouco mais de 3 milhões de votos.
O partido de Flávio elegeu 121 dos 513 deputados, mantendo-se como a maior bancada da Casa. Caso se confirme a projeção do UOL feita com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), é o melhor resultado de um partido desde 1986, quando o MDB assumiu 260 cadeiras.
O PL teria, então, a partir do ano que vem, 51 deputados a mais que o PT, segundo colocado na Câmara neste ano. É o melhor resultado histórico para os bolsonaristas. Em 2018, o PSL elegeu 52 deputados. Em 2022, o PL colocou 99 nomes da Casa.
Crescimento no Senado
O avanço do bolsonarismo também alcançou o Senado. O PL garantiu 19 das 54 cadeiras em disputa este ano. Também é o melhor resultado desde 1986, quando o MDB garantiu 38 cadeiras. Em 2018, o PSL, então partido de Jair Bolsonaro, elegeu só quatro senadores. Na eleição passada, o PL garantiu oito vagas.
Além da própria eleição, Flávio Bolsonaro se empenhou pessoalmente em eleger senadores sob a bandeira de fazer avançar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que jamais havia concorrido a um cargo eletivo, foi eleita senadora pelo Distrito Federal com quase 1 milhão de votos, consagrando-se como a mais votada da capital. Ela obteve mais votos que a governadora Celina Leão (PP), que foi ao segundo turno com 825 mil votos.
Flávio elegeu cinco dos seis senadores dos três maiores colégios eleitorais do país. Por São Paulo, estão eleitos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Por Minas Gerais, o deputado Domingos Sávio (PL) conquistou uma cadeira de senador — a segunda vaga ficou com Marília Campos, do PT. Já no Rio de Janeiro, a deputada Benedita da Silva (PT) foi superada por Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL).
Domínio nos estados
O partido também conquistou boa parte das vagas no legislativo estadual. Uma a cada cinco cadeiras em disputa nas assembleias legislativas e na câmara distrital foi vencida pelo PL.
A direita indica, ainda, uma tendência de manter o patamar de governadores eleitos nos últimos oito anos.
Dez dos 20 governadores eleitos em primeiro turno apoiam o senador Flávio Bolsonaro (PL) —entre eles, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, e Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais. Outros cinco nomes que caminham ao lado do presidenciável vão ao segundo turno.
É um resultado parecido com o de 2018 e 2022, quando 15 e 14 governadores que apoiaram Jair Bolsonaro foram eleitos, respectivamente.
O PL elegeu cinco governadores no primeiro turno: Jorginho Mello (SC), Luciano Zucco (RS), Sergio Moro (PR), Marcos Rogério (RO) e Arthur Henrique (RR). Em 2018, o PSL elegeu três; em 2022, o PL elegeu dois.
No Acre, os dois candidatos que vão ao segundo turno, Mailza Assis (PP) e Alan Rick (Republicanos), apoiam Flávio.
Cinco governadores eleitos neste domingo apoiam Lula: Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Elmano de Freitas (PT-CE), Rafael Fonteles (PT-PI), Fábio Mitidieri (PSD-SE) e Lucas Ribeiro (PP-PB). Quatro não declararam apoio a nenhum candidato: Raquel Lyra (PSD-PE), Eduardo Braide (PSD-MA), Dr. Furlan (PSD-AP) e JHC (PSDB-AL). JHC recebeu o apoio de Flávio na campanha, mas não retribuiu publicamente. Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) apoia Ronaldo Caiado (PSD), de quem foi vice.





