
Um bebê prematuro morreu na última quinta-feira, 20 de agosto, após ter a cabeça ferida por um obstetra com bisturi durante uma cesariana. O caso aconteceu no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto, no interior paulista. A instituição diz investigar o ocorrido.
Segundo boletim de ocorrência da Polícia Militar obtido pela Folha, a criança sofreu o trauma no último dia 18, passou por outros procedimentos médicos com neurocirurgião, mas teve um sangramento no crânio e morreu na quinta-feira. A mãe da criança, moradora de Serrana, também no interior, está bem.
A Polícia Civil investiga a morte do recém-nascido. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária de Ribeirão Preto e encaminhado ao 3º Distrito Policial da cidade, que apura o ocorrido. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo diz que os detalhes serão preservados para não atrapalhar o curso das investigações.
Procurado, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto não deu detalhes do caso, apenas disse que instaurou um procedimento interno para investigação do ocorrido. Diz ainda que entendeu ser necessária uma “análise técnica, isenta e aprofundada, evitando conclusões precipitadas”.
“A comissão avaliará todos os elementos relacionados ao atendimento, inclusive as circunstâncias do parto, as condições clínicas do feto, o contexto de prematuridade e o caráter de urgência do procedimento. Paralelamente, o Hospital prestará todas as informações solicitadas pelas autoridades competentes que também venham a apurar o caso.”
A cesariana é um procedimento cirúrgico realizado por meio de incisões na parede abdominal e no útero para o nascimento do bebê. É nessa etapa que o bisturi é utilizado.
Embora seja considerada uma cirurgia segura, lesões fetais acidentais podem ocorrer durante a abertura uterina, especialmente quando a parede do útero é mais espessa por não ter sido exposta ao trabalho de parto, explica a ginecologista e obstetra Mirela Jiménez, da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).
“Trata-se de uma complicação muito rara, mas reconhecida na literatura médica”, afirma.
Segundo ela, o risco pode ser maior quando há pouco líquido amniótico, em úteros que não foram expostos ao trabalho de parto, com aderência do feto à parede uterina, apresentações fetais incomuns, prematuridade extrema, restrição de crescimento fetal, cicatrizes uterinas prévias ou em cesáreas de urgência, nas quais é necessária rapidez para a retirada do feto.
Para determinar se a lesão provocada durante a cesárea foi a causa da morte, a médica afirma que é necessário realizar uma investigação médico-pericial completa.
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