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Emanuel Roque mora com o namorado no Rio Grande do Sul — Foto: TV Globo/Reprodução

Expulso de casa aos 17 anos após assumir um relacionamento homoafetivo, o catarinense Emanuel Roque, hoje com 18 anos, reconstrói a vida no Rio Grande do Sul. Em setembro, a Justiça de Santa Catarina condenou os pais dele a pagar R$ 100 mil por danos morais, violência e abandono afetivo.

Logo após expor sua orientação sexual, ele precisou deixar a residência onde vivia com a família, em Jaguaruna (SC), passou a sofrer ameaças e teve a intimidade exposta nas redes sociais pelos próprios pais.

Hoje Emanuel mora com o companheiro e trabalha como operador de caixa em um supermercado no Rio Grande do Sul.

Por causa da rotina intensa, que inclui longos deslocamentos de ônibus, e das dificuldades financeiras, precisou pausar os estudos e planeja concluir o ensino médio em 2027.

“Por menos que eu não tenha a vida financeira boa que eu tinha quando eu estava em casa, eu estou conseguindo conquistar minhas coisas com o meu dinheiro e com o meu suor”, relatou ao g1.

Entre a rotina exaustiva de trabalho em um supermercado e os custos, o jovem comemora a autonomia alcançada.

“Hoje eu sou muito mais feliz morando com meu namorado, me sentindo realmente amado, podendo ser quem eu sou”, declarou.

A condenação dos pais ocorreu após ação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) constatar sucessivas violações de direitos cometidas pelos responsáveis dele.

A decisão também proíbe o pai do jovem de publicar qualquer conteúdo sobre a vida privada do filho. O casal nega as acusações e pode recorrer. O g1 tentou contato com os pais e a defesa deles, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.

Hostilização, abrigo e a busca pela Justiça

A crise familiar começou quando Emanuel tinha 17 anos e trabalhava em um mercado em Jaguaruna, onde conheceu o namorado.

Ao descobrir o relacionamento, a mãe reagiu com gritos e ofensas, enquanto o pai fez ameaças com um alicate e uma arma de fogo.

Os pais ainda o proibiram de frequentar a escola e exigiram que ele deixasse o emprego.

A gravidade do cenário exigiu a intervenção do Conselho Tutelar, que encaminhou o adolescente para um abrigo de proteção em agosto de 2025.

Foi no acolhimento institucional que Emanuel recebeu apoio psicológico e orientações jurídicas que terminaram na ação movida pelo MPSC.

“Naquela época tudo foi tão conturbado, mas foi um pouco feliz também quando conheci meu namorado e o pessoal do abrigo. Pela primeira vez, vi pessoas que realmente me deram apoio e conversaram comigo sobre o que eu poderia fazer”, lembrou.

Ele afirma que pretende manter contato permanente com a equipe do abrigo. “São pessoas que quero levar para o resto da vida.”

Repercussão da sentença

Para fundamentar o processo, o MPSC apresentou provas como postagens em redes sociais, depoimentos e relatos de testemunhas.

Emanuel contou que não esperava a repercussão do caso e que ainda assimilava o impacto do valor fixado pelo juiz.

“Eu não sabia que ia ser tanto dinheiro. Quando saí de lá, acabei me desligando, não tenho muito conhecimento desse negócio jurídico e ainda estou um pouco em choque”, afirmou.

Segundo o jovem, os pais não o procuraram após a divulgação da sentença. Livre das ameaças, ele afirma que o foco atual é a consolidação de sua nova vida ao lado do parceiro.

G1 SC

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