Bolsa Família
| |

Lula tem queda de votação em cidades mais dependentes do Bolsa Família

Bolsa Família
Governo federal aumenta Bolsa Família após mais de três anos sem reajuste – Foto: Reprodução

O presidente Lula (PT) teve uma pequena diminuição no percentual de votos em municípios altamente dependentes do programa Bolsa Família nesta eleição, segundo levantamento do UOL. Nestas cidades, o apoio ao petista variou de 71,5% a 68,7%.

Os candidatos da família Bolsonaro, Jair e Flávio, ambos do PL, passaram por um movimento diferente. Em 2022 a 2026, alcançaram 23,5% e 27,3%, respectivamente, nessas cidades.

Para chegar a esses resultados, a reportagem fez um cruzamento de dados com a quantidade de votos de todos os candidatos presidenciais nas últimas três eleições, a população de cada município e o número de beneficiários do programa – que chegou a se chamar Auxílio Brasil.

Definiu como altamente dependentes do Bolsa Família aquelas cidades com 50% ou mais beneficiários em relação à população total. As outras categorias são: média dependência (25% – 50%) e baixa dependência (menos do que 25%).

Para as duas últimas eleições, o UOL usou os dados dos beneficiários do Bolsa Família correspondentes a outubro daqueles anos. Para 2026, as informações relativas a agosto -últimas disponíveis até este domingo (3).

O levantamento não estabelece uma correlação entre o Bolsa Família e os votos de cada candidato. Mostra apenas os diferentes resultados nas regiões mais e menos dependentes do programa.

Em 2026, o grupo de municípios com alta dependência do programa representou 14,4% dos votos válidos. Do outro lado, as cidades com baixa ligação com o programa abrigaram 59,1%.

Flávio Bolsonaro e Lula disputarão o segundo turno da eleição presidencial de 2026, marcado para o dia 25 de outubro. Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio tinha 47,03% dos votos (56,1 milhões) e Lula, 45,16% (53,8 milhões).

A abstenção chegou a 21,8% (33,4 milhões de eleitores). Trata-se da maior já registrada no primeiro turno.

Concorrência desidratada

Os dados indicam um aumento da polarização entre candidatos petistas e bolsonaristas e redução da votação nos outros candidatos.

Nos municípios altamente dependentes do Bolsa Família, os outros candidatos saíram de 17%, em 2018, para 5,04% em 2022. Neste ano, caíram para 4%. A tendência foi a mesma para as demais cidades com média e baixa dependência.

O governo Lula anunciou o aumento do valor do Bolsa Família, o primeiro do atual mandato, a 17 dias antes do primeiro turno. O reajuste acompanha a correção pela inflação desde junho de 2023, quando o programa foi oficialmente renomeado para Bolsa Família, até o mês passado.

O piso passou de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro —um aumento de 15%. Segundo o Ministério do Planejamento, o benefício médio subirá dos atuais R$ 675 para R$ 777. Começará a ser pago em outubro.

Em 2022, o então presidente Bolsonaro também reajustou os valores do programa, chamado de Auxílio Brasil. Meses antes das eleições, subiu o benefício de R$ 400 para R$ 600 (um reajuste de 50%) —por meio da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), batizada de “Kamikaze”.

O aumento de R$ 200 anunciado por Bolsonaro foi pago entre agosto e dezembro de 2022, quando terminou seu mandato. Lula manteve o valor de R$ 600 ao assumir o Palácio do Planalto.

Diferença para 2022

Nas últimas eleições, Bolsonaro perdeu fôlego nas cidades com baixa dependência do programa. Caiu de 53,6%, em 2018, para 50,3% em 2022. Em 2026, voltou a subir, com 53,9%.

Na contramão, Lula passou de 20,1% para 40% entre 2018 e 2022. Neste ano, caiu para 37%.

Na avaliação do cientista político e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Danilo Medeiros, o Bolsa Família, sozinho, não garante voto. Citou ainda que o aumento do benefício “é uma tentativa de cativar parte dos eleitores, de consolidar esse voto”.

“A própria ideia do aumento do benefício próximo à eleição mostra como o ato de premiar do eleitor não está garantido”, opinou.

“Se o voto de quem recebe o programa estivesse garantido para determinado candidato, não teria motivos eleitorais para mexer no benefício. Se eles mexem, é porque têm uma expectativa de que nem todo eleitor, nem todo beneficiário é um voto garantido.”

Medeiros relatou que há pesquisas que mostram que a consolidação do programa, ao longo do tempo, o transformou em direito, “como a saúde pública”. Ao UOL, o professor afirmou também que é difícil isolar o efeito dessa política pública de outras.

“O entendimento vai mudando de um simples benefício para um direito adquirido, conquistado. Ao mesmo tempo, isso não não impede que uma parcela desses beneficiários respondam na hora do voto, premiando aquele aqueles que trabalharam para esse direito”, explicou.

UOL

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *