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Advogado Willer Tomaz foi o maior apostador do Brasil em 2025, aponta Secretaria de Apostas

O advogado Willer Tomaz e o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, são investigados por lavagem de dinheiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas vinculada ao Ministério da Fazenda aponta que o advogado Willer Tomaz de Souza foi a pessoa que mais realizou apostas no Brasil durante todo o ano de 2025. Ao todo, foram R$ 5 bilhões.

De acordo com dados informados pela casa de apostas Blaze à secretaria, ao longo do ano o advogado depositou mais de R$ 258 milhões e sacou R$ 200 milhões em sua conta na casa.

A informação foi publicada pelo jornal UOL e confirmada pelo g1.

➡️ Willer é investigado na Operação Sem Desconto, que apura descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS, e também é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). Eles são amigos e afirmam que não têm negócios juntos (leia mais abaixo).

Em um processo que Willer entrou contra a casa de apostas, a defesa informou que os aportes totalizaram R$ 325 milhões, considerando também 2026. A defesa afirmou que Willer foi diagnosticado com o transtorno mental caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de jogar e apostar, a ludopatia, e pediu a restituição de todos os valores enviados à Blaze.

A Polícia Federal (PF) investiga se Willer Tomaz usou operações de apostas para lavar dinheiro. Ao todo, em 18 meses (de janeiro de 2025 a julho de 2026), o advogado apostou R$ 6,6 bilhões e teve um prejuízo de R$ 188,5 milhões.

Análise feita pela Secretaria de Apostas aponta falhas nos controles de prevenção de lavagem de dinheiro por parte da Blaze, pelo grande volume de transações realizadas pelo advogado em um único ano sem que um alerta fosse criado.

“Essa pessoa foi a que teve o maior volume total de depósitos em plataformas de quota fixa no Brasil em 2025, sendo que o valor por ela depositado constituiu quase o dobro do valor depositado pela pessoa que figurou como segunda colocada nesse ranqueamento”.

A secretaria ainda exemplificou um comportamento suspeito por parte de Willer no final de outubro de 2025. No dia 30, ele realizou 14 depósitos de R$ 500 mil na plataforma, sendo cinco pela manhã, cinco pela tarde e quatro à noite, totalizando R$ 7 milhões.

Já no dia seguinte, em um intervalo de 18 minutos, Willer fez 12 saques de R$ 500 mil, totalizando R$ 6 milhões.

De acordo com a Secretaria, as transações podem “sugerir fracionamento ou dissimulação de operação”. Apesar do grande volume movimentado em suas apostas, a Blaze classificou a conta do advogado como de “risco médio”.

A definição causou estranheza à secretaria, pois a casa de apostas deveria ter levado em consideração o critério de “padrões atípicos em jogos on-line” e classificado Willer como um apostador de “risco máximo”.

“Essa constatação se torna ainda mais flagrante ao identificar-se que o cliente em questão também poderia se enquadrar na categoria de risco máximo utilizada pela empresa (‘crítico’), em razão de nela constar o elemento da ‘potencial violação sistêmica da legislação aplicável’, dado que uma rápida pesquisa em fontes abertas na internet mostra que o cliente já esteve detido sob suspeita de corrupção; e ainda o elemento da ‘incompatibilidade manifesta entre capacidade econômico-financeira e volume de operações’, haja vista a debilidade da empresa em avaliar essa capacidade”, diz o texto.

A secretaria ainda apontou a possibilidade indícios de “culpa ou dolo” por parte da casa de apostas por não ter identificado e analisado os riscos envolvendo a conta do advogado.

“Sendo praticamente impossível que uma empresa não identifique que um de seus clientes, por exemplo, operou e pode ainda estar operando movimentações na ordem dos bilhões de reais, parece haver indícios de culpa ou dolo”, afirmou.

Em nota divulgada em setembro, a defesa de Willer Tomaz disse que “não há que se falar em lavagem de dinheiro”. “Todas as movimentações ocorreram em sua própria conta bancária, de forma transparente e rastreável, sem qualquer ocultação ou dissimulação de origem ou destino de recursos”.

Quem é Willer Tomaz

Willer Tomaz é investigado pela PF no âmbito da Operação Sem Desconto, que revelou descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A fase da operação que teve Willer como um dos alvos investigava um esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT).

A PF descreveu Willer como uma espécie de estrutura de sustentação financeira e patrimonial a Weverton, envolvendo empresas, imóveis, aeronaves e outros operadores.

Willer chegou a ser preso em 2017, suspeito de tentar interferir nas investigações da Operação Greenfield, que apurou fraudes em fundos de pensão.

Willer também é alvo de um inquérito no STF que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado, empresas dele e o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator do inquérito.

A investigação começou na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde eram apurados crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas , além da utilização de casas de apostas no suposto esquema.

A PF gaúcha quebrou o sigilo telemático de Willer Tomaz e encontrou e-mails que apontavam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, que pertence ao advogado.

Devido ao foro especial do senador Flávio, o caso subiu do Rio Grande do Sul para o Supremo em 8 de outubro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisou os indícios e se manifestou pela abertura da investigação.

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