
O governo Trump discutiu o envio de pagamentos diretos aos habitantes da Groenlândia. Isso faria parte de uma tentativa de convencê-los a se separarem da Dinamarca e se juntarem aos Estados Unidos. A informação é de uma reportagem publicada pela agência de notícias Reuters nesta quinta-feira, 8 de janeiro.
De acordo com a agência, autoridades americanas, incluindo assessores da Casa Branca, discutiram valores entre US$10.000 (R$ 53.883,00, na cotação atual) e US$100.000 (R$ 538.960,00) por pessoa. O salário mensal médio na Groenlândia é de 30 mil coroas dinamarquesas (R$ 25 mil), conforme estimativas.
A ideia é vista como uma tentativa de comprar o território ultramarino da Dinamarca, que tem 57 mil habitantes. Entretanto, autoridades de Copenhague e da Groenlândia insistem que a ilha não está à venda.
“Chega de pressão. De insinuações. Chega de fantasias de anexação”, escreveu o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, em uma publicação no Facebook no domingo. Assim sendo, este texto foi resposta após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar novamente à imprensa que os EUA precisavam adquirir a ilha.
Planos da Casa Branca
Conforme a agência, a tática está entre vários planos discutidos pela Casa Branca para adquirir a Groenlândia, incluindo a possibilidade de intervenção militar. O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, afirmou nesta quinta que líderes europeus deveriam levar Donald Trump a sério no que se refere à ilha.
Uma autoridade americana afirmou à Reuters que os assessores da Casa Branca estavam ansiosos para manter o “impulso” da intervenção na Venezuela. Isso para realizar outros objetivos geopolíticos de longa data de Trump.
Questionada sobre as discussões, a secretária de imprensa dos EUA Karoline Leavitt afirmou que Trump e seus assessores de segurança nacional analisam “uma potencial compra”.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, planeja se reunir com seu homólogo dinamarquês na próxima semana, em Washington, para discutir a questão.
Na terça-feira, França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca emitiram uma declaração conjunta. O comunicado afirma que apenas a Groenlândia e a Dinamarca podem decidir questões relacionadas às suas relações.