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Apagões: rede elétrica nacional de Cuba entra em colapso, deixando milhões sem energia; foto de 16 de março de 2025 — Foto: Norlys Perez/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira, 16 de março, que seria uma “honra” para ele “tomar Cuba”. A declaração é mais um capítulo da escalada de pressão dos norte-americanos sobre a ilha comunista, que enfrenta uma forte crise energética.

Na noite de segunda, 16 de março, dezenas de cubanos se reuniram no centro de Havana e bateram panelas para protestar contra o apagão generalizado que deixou cerca de 10 milhões de pessoas sem energia.

Contexto: 

Cuba está entre os alvos de Trump desde o primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na época, ele reverteu a política de abertura adotada por Barack Obama e endureceu sanções contra a ilha.

A mudança no governo da Venezuela foi fundamental para que Trump colocasse Cuba contra a parede. Após a captura de Maduro, em 3 de janeiro, os Estados Unidos passaram a impedir que Caracas enviasse petróleo ou dinheiro à ilha.

No fim daquele mês, Trump fez uma nova investida para aumentar a pressão. Por meio de decreto, autorizou tarifas contra qualquer país que venda ou forneça petróleo a Cuba. A Casa Branca disse que a medida era necessária manter a estabilidade no Caribe.

“Os Estados Unidos têm tolerância zero para as atrocidades do regime comunista cubano e agirão para proteger a política externa, a segurança nacional e os interesses nacionais”, afirma a ordem assinada por Trump.

A medida foi vista como uma tentativa de sufocar a economia cubana. Ao mesmo tempo, o governo Trump acusou a ilha de se alinhar à Rússia, à China, ao Irã e a grupos terroristas e, por isso, representava uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.

“Cuba é uma nação em crise, e é preciso ter pena do país”, disse Trump no dia seguinte à assinatura da ordem. “Parece algo que simplesmente não vai sobreviver. Acho que Cuba não vai sobreviver.”

Apagões

Sem petróleo, a situação em Cuba se deteriorou rapidamente. A ilha passou a enfrentar apagões frequentes, mergulhando o país em uma grave crise energética. Isso ocorre porque a rede elétrica cubana depende de combustível para gerar eletricidade.

De acordo com a BBC, especialistas afirmam que Cuba precisa de cerca de 110 mil barris de petróleo por dia, mas produz apenas 40 mil. Com isso, o país depende de importações. Até então, a Venezuela conseguia suprir parte dessa demanda.

Sem o apoio venezuelano, Cuba passou a enfrentar falta de combustível para atender às necessidades internas. A rede elétrica foi uma das primeiras a ser afetada, com cortes de energia generalizados. Depois, filas começaram a se formar em postos de gasolina.

No sábado, 14 de março, manifestantes foram às ruas para protestar contra a situação no país. Os atos, que começaram de forma pacífica, terminaram com o ataque a uma sede do Partido Comunista na região central da ilha. Prédios do governo também foram apedrejados.

Pressões surtem efeito

Diante desse cenário, o governo cubano se viu forçado a iniciar negociações com os Estados Unidos. O presidente Miguel Díaz-Canel anunciou o início das conversas em um pronunciamento na TV na sexta-feira,13 de março.

“Essas negociações visam encontrar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais entre as duas nações”, disse.

Apesar do contato, fontes afirmam que ainda há diferenças significativas entre os dois países. Autoridades americanas indicam que qualquer alívio da pressão depende de concessões políticas e econômicas de Havana.

Na segunda-feira, o jornal The New York Times revelou que o governo dos Estados Unidos está pressionando para que Díaz-Canel deixe o cargo para que as negociações avancem.

Na avaliação de integrantes do governo Trump, a saída de Díaz-Canel do poder poderia abrir caminho para reformas econômicas no país. Por outro lado, exilados cubanos e políticos americanos poderiam pressionar por mudanças mais amplas na ilha do que apenas a troca do presidente.

Quem está negociando?

As conversas estariam sendo conduzidas sob a coordenação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Filho de imigrantes cubanos, Rubio cresceu politicamente com apoio de exilados cubanos nos EUA e defende a queda do regime comunista na ilha.

Segundo a imprensa americana, assessores de Rubio estão em contato com autoridades cubanas para discutir possíveis termos de negociação.

Em fevereiro, o site norte-americano Axios afirmou que o próprio secretário estaria mantendo conversas secretas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro à margem do governo cubano.

Ao jornal Miami Herald, o congressista republicano Mario Díaz-Balart disse que os Estados Unidos mantiveram contato com “diversas pessoas do entorno de Raúl Castro”, mas afirmou que não se tratava de negociações oficiais. Ele também não confirmou nomes.

Cuba, por sua vez, não informou oficialmente quem faz parte da delegação que negocia com os Estados Unidos.

G1

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