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Confusão foi registrada durante apresentação da quadrilha junina Estrela do Luar em um shopping. — Foto: Redes sociais/Reprodução

Um casal que causou confusão ao confundir símbolos da quadrilha junina Estrela do Luar com a estrela do PT, chamou os quadrilheiros de comunistas e os acusou de politicagem. O caso ocorreu na última sexta-feira, 3 de junho, em um shopping no município de Sobral, na região norte do Ceará.

Os suspeitos, de 69 e 66 anos, foram levados à delegacia, atuados pelo crime de constrangimento ilegal e liberados. O g1 confirmou com fonte policial que os suspeitos foram identificados como Jefferson Golberi da Rosa e Iolanda Pavani da Rosa. A defesa deles não foi localizada para comentar o caso, mas a matéria será atualizada de houver manifestação do casal.

⚠️ O crime de constrangimento ilegal é previsto no Código Penal, com a seguinte redação: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda”. Se houver condenação, a pena é de detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa.

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Dalila Castro, presidente da quadrilha Estrela do Luar, viu toda a situação e não tentou intervir inicialmente porque pensou que o homem e a mulher estavam tentando ajudar o marcador da quadrilha (integrante do grupo que guia a apresentação).

Porém, o casal iniciava ali uma série de ataques aos dançarinos. “Eles foram no marcador, depois foram até à cantora e disseram: ‘Vocês são comunistas, estão fazendo política'”, relatou Dalila.

Dalila ressalta que o marcador usava uma roupa do ciclo de apresentações de 2024. O tema era sobre a luta dos trabalhadores. Nas costas dele havia uma estrela maior e símbolos como machado e foice que “representam o trabalhador do campo”, segundo a representante dos quadrilheiros de Sobral.

“A apresentação deste ano é sobre o memorial de Maria Moura, da Rachel de Queiroz, que retrata a força da mulher cangaceira. Como a roupa do cangaceiro não está pronta ainda, ele teve de usar essa outra de 2024”, justifica Dalila.

Racismo e LGBTfobia

A presidente da agremiação disse que os suspeitos atacaram principalmente pessoas negras e LGBTs. “Eles foram até às meninas trans e drags. Ficaram falando dos peitos das meninas. Ela disse que as meninas trans não a representava. Nossa sorte foi porque a gerência do shopping estava no local e viu tudo”.

Segundo a representante da quadrilha, entre dançarinos e produção, a quadrilha Estrela Luar chega a 70 integrantes considerando todo o elenco. São estas pessoas, reforça Dalila, que custeiam todo o figurino, fazendo ações para arrecadar fundos, como rifas, bingos e festas. A expectativa é de que a agremiação participe de 20 festivais neste ano.

Em nota publicada nas redes sociais, a Estrela do Luar afirmou que “durante e ao término da apresentação, integrantes do grupo foram surpreendidos pela ação agressiva de um casal que, motivado por divergências político-ideológicas, invadiu o espaço do espetáculo, interrompeu a atividade artística e constrangeu nossos brincantes diante do público presente”.

Segundo a quadrilha, “a situação agravou-se quando a senhora envolvida dirigiu-se de forma hostil ao nosso marcador, tentando puxar sua roupa e interromper sua atuação, além de abordar agressivamente a cantora da quadrilha, prejudicando sua performance e o encerramento do espetáculo”.

“Trata-se de uma conduta inaceitável, que ultrapassa qualquer limite do direito à opinião e representa um desrespeito à cultura popular, aos artistas e ao público presente.”

A quadrilha Estrela do Luar destacou que os principais alvos da ação do casal foram artistas negros. “Além disso, integrantes da quadrilha foram alvo de ofensas e expressões LGBTfóbicas durante o episódio”, denunciou.

“A Estrela do Luar é um grupo cultural comprometido com a arte, a valorização das tradições juninas, a diversidade e o respeito às diferenças. Nossa missão é promover cultura, inclusão e cidadania, princípios incompatíveis com qualquer forma de intolerância ou violência”, reforçou.

Levados à delegacia

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Civil instaurou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) para investigar um caso de constrangimento ilegal ocorrido na sexta-feira (5), no município de Sobral.

“Os suspeitos, uma idosa de 69 anos e um idoso de 66 anos, foram conduzidos pela Polícia Militar do Ceará (PMCE) até a Delegacia de Polícia Civil de Sobral, onde o TCO foi lavrado. O casal foi ouvido, atuados pelo crime de constrangimento ilegal e liberados. O caso segue sendo investigado pela unidade policial”, informou a SSPDS.

Shopping se manifesta

O Sobral Shopping publicou nota, nas redes sociais, em que prestou solidariedade aos integrantes da quadrilha, que “foram alvo de agressões físicas, verbais e atos de intolerância durante apresentação realizada em nossas dependências”.

Segundo o shopping, a administração colaborou com a apuração dos fatos e se colocou à disposição das autoridades competentes para reunir informações necessárias para contribuir com o caso.

“O empreendimento repudia toda e qualquer forma de violência, discriminação, racismo, homofobia, transfobia, xenofobia ou qualquer atitude que atente contra a dignidade humana. O Sobral Shopping é um espaço de convivência familiar, cultural e democrática, e não compactua com comportamentos que desrespeitem pessoas, grupos, manifestações artísticas ou expressões da cultura popular”, destacou.

Federação repudia ataque

A Federação das Quadrilhas Juninas do Ceará (Fequajuce) emitiu uma nota de repúdio contra o ataque sofrido pela Estrela do Luar. “No uso de suas atribuições e em defesa da cultura popular, da tradição junina e dos direitos humanos, vem a público manifestar sua total solidariedade à quadrilha junina filiada Estrela do Luar”, disse a entidade.

“Tais atos, que teriam sido motivados pela inaceitável associação do símbolo de uma estrela a uma legenda partidária, configuram não apenas agressões verbais, mas um atentado à liberdade de expressão artística e à diversidade cultural que o São João celebra”, complementou a Fequajuce.

G1 CE

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