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Vírus que provoca a doença de Newcastle tem causado mortes de aves em Portugal e já foi identificado nos Açores – Foto: Shutterstock

Olhos vermelhos, coceira, irritação e inchaço das pálpebras estão entre os sintomas mais associados à infecção humana pelo vírus da doença de Newcastle. Apesar de atingir principalmente aves e raramente provocar doença em pessoas, há registros científicos de manifestações mais graves, incluindo problemas respiratórios e neurológicos.

O vírus, altamente contagioso entre aves, tem provocado mortes em Portugal e já foi detectado em diferentes ilhas da Região Autónoma dos Açores. Autoridades locais acompanham a disseminação da doença e adotam medidas para reduzir o risco de novos focos.

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) aponta as aves como os principais hospedeiros. Informações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam, porém, que o agente também já foi identificado em outros animais, como macacos, coelhos e porcos.

Surto recente atingiu aves no norte de Portugal

Um estudo português publicado em 2025 descreveu a circulação do paramixovírus de pombo tipo 1, conhecido como PPMV-1 e pertencente ao genótipo VI do ortoavulavírus aviário 1.

No início daquele ano, um surto foi registrado em um centro de reabilitação de animais selvagens no norte de Portugal, com casos envolvendo rolas-turcas, rolas domésticas e pombos.

Segundo os pesquisadores, aves que desenvolveram sinais neurológicos agudos morreram rapidamente. O trabalho apontou ainda que a circulação do vírus representa uma ameaça para populações de aves domésticas e selvagens.

Doença de Newcastle pode passar para humanos?

A doença de Newcastle é uma zoonose causada pelo paramixovírus aviário tipo

1. A transmissão para seres humanos é considerada incomum e costuma estar relacionada ao contato próximo com aves infectadas ou materiais contaminados.

Nos casos identificados em pessoas, manifestações oculares, especialmente conjuntivite, aparecem com maior frequência. Há também relatos de infecções sem sintomas e de quadros respiratórios.

A gravidade pode variar conforme a cepa viral e as circunstâncias da exposição.

Quais são os sintomas em humanos?

Entre os sinais mais associados à infecção pelo vírus da doença de Newcastle estão:

vermelhidão nos olhos;
irritação ocular;
coceira;
inchaço das pálpebras;
conjuntivite;
sintomas respiratórios em alguns casos.

Complicações neurológicas são consideradas raras. Há, contudo, relatos científicos isolados, incluindo um caso fatal de infecção neurológica provocada pelo PPMV-1 em uma criança na Austrália.

Quadros desse tipo podem envolver inflamação do cérebro, conhecida como encefalite, e alterações em regiões do sistema nervoso, como tronco cerebral e cerebelo.

Entre as manifestações neurológicas descritas estão confusão, alteração da consciência, dificuldade para falar ou engolir, problemas de coordenação, fraqueza, paralisia e, nos quadros mais graves, coma.

Como evitar a contaminação pelo vírus

A DGAV recomenda reduzir o contato direto com aves que apresentem sinais de doença ou que sejam encontradas mortas, especialmente animais selvagens.

Pessoas que trabalham com criação, manejo ou resgate de aves devem utilizar equipamentos de proteção adequados, como luvas, óculos de proteção e máscara para as vias respiratórias.

Também é recomendado lavar cuidadosamente as mãos depois do contato com aves, fezes, secreções ou equipamentos utilizados no manejo dos animais.

Outra orientação é evitar tocar nos olhos, no nariz ou na boca após contato com aves ou materiais potencialmente contaminados.

Diante de sintomas após exposição a uma ave suspeita de infecção, a recomendação é procurar atendimento médico. Animais com sinais da doença também devem ser isolados para reduzir o risco de transmissão.

Notícias ao Minuto

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