
O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para apurar suspeitas de tortura e de tratamento desumano ou degradante no reality show Big Brother Brasil 26 (Globo). A informação para reportagem se confirma pelo próprio órgão.
A decisão se assina pelo procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Júlio Araújo. Ela baseia-se em representações que apontam possíveis riscos à integridade física e psicológica dos participantes desta edição.
Na denúncia citam duas crises convulsivas do ator Henri Castelli em uma prova do líder. Além disso, a dinâmica do “Exílio” -em que Breno e, depois, Alberto Cowboy ficaram na área externa da casa- e o “Quarto Branco”, que manteve participantes isolados por 120 horas com água e biscoito, também são destacadas.
Na decisão, o procurador afirma que a liberdade de criação das emissoras não pode servir de justificativa para violações de direitos fundamentais. Ele lembra ainda que, por operarem por concessão pública, as TVs devem respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família. Isso está conforme o artigo 221 da Constituição.
O MPF destaca que a proibição de tortura e de tratamentos degradantes é um princípio constitucional absoluto. Para o órgão, transformar o sofrimento alheio em entretenimento contraria o objetivo da República de construir uma sociedade justa e solidária.
Reação na internet
Nas redes sociais, internautas apontam a magreza extrema que a participante Ana Paula Renault vem apresentando na telinha. Ainda mais, um grupo de participantes teriam combinado de deixar a sister sem comida e ela reclamou que ficou quase uma semana sem comer proteínas.
Em manifestação preliminar no processo, a TV Globo afirmou que mantém assistência médica permanente aos participantes, com UTI móvel bem como protocolos de encaminhamento hospitalar. Ainda mais, sobre Henri Castelli, disse que ele recebeu atendimento adequado e foi levado a unidades de saúde externas em duas ocasiões.
Como primeira diligência, o MPF pediu que a emissora apresente esclarecimentos detalhados sobre os pontos levantados pela Comissão de Mortos e Desaparecidos.
A reportagem procurou a TV Globo para comentar a investigação. Dessa forma, o texto será atualizado em caso de manifestação.