
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou em tom duro em seu discurso neste domingo, 6 de julho, na 17ª Cúpula do Brics, que ocorre no Rio de Janeiro até esta segunda, 7 de julho.
Já o documento oficial do Brics evitou atacar diretamente os Estados Unidos, mas mesmo assim Donald Trump ameaçou os países que se alinharem ao grupo.
O tom mais leve teve influência direta da China. Esta fechou um acordo com o presidente norte-americano antes do encontro e não foi representada pelo seu presidente, Xi Jinping.
🔎O Brics é um grupo formado por 11 países membros e outros parceiros. Funciona como foro de articulação político-diplomática do Sul Global e de cooperação em várias áreas. Entre os objetivos estão fortalecer a cooperação econômica, política e social entre seus membros. Além disso, procuram promover um aumento da influência dos países do Sul Global na governança internacional.
A avaliação de assessores presidenciais é de que Trump mais uma vez fez suas ameaças rotineiras, mas que estaria mais alertando para o futuro.
O Brics, por exemplo, não registrou oficialmente qualquer ação para retirar o dólar de suas transações comerciais, ficou apenas nos estudos nesta direção.
Reação de Trump
Trump desde o início de seu mandato tem ameaçado o Brics. Isso caso o grupo pare de fazer transações comerciais e financeiras tendo o dólar como referência.
Em sua fala, Lula, sem citar nominalmente, acusou os Estados Unidos de instrumentalizarem a Agência Internacional de Energia Atômica. Disse que é para justificar os ataques contra instalações nucleares do Irã.
Além disso, criticou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pela corrida armamentista. Segundo ele, isso eleva gastos militares como nunca visto em detrimento de recursos para países pobres e para solução da crise climática. “Mais fácil investir na guerra do que na paz”, sintetizou o petista.
O presidente brasileiro pontuou que, hoje, nem consultam a Organização das Nações Unidas (ONU) para ataques contra outros países. Por isso, ele voltou à bater na tecla da defesa de reformulação do Conselho de Segurança da ONU. Propôs a entrada de novos países para o órgão da Ásia, África e América Latina e Caribe.
Enquanto isso, em momento de tensões geopolíticas, o Brasil optou por colocar no centro da pauta da cúpula temas importantes, como saúde, inteligência artificial e crise climática. Contudo, acertou que temas polêmicos, como as guerras, seriam tratados evitando fomentar conflitos com o lado ocidental, principalmente Estados Unidos.
Por isso, não condenaram a Rússia pela guerra na Ucrânia. Não criticaram os Estados Unidos pelos ataques a instalações nucleares do Irã. Condenaram a guerra tarifária, mas sem menções ao presidente Donald Trump.
Ninguém quis atacar diretamente Trump na semana para a qual estava marcada a entrada em vigor das novas tarifas. Também, quando os Estados Unidos devem anunciar alguns acordos comerciais, além do já fechado com a China. O prazo, porém, foi prorrogado para agosto. Mas a ameaça segue no ar.