
Mais de 80% dos médicos que atuam na Paraíba afirmam já ter sofrido violência verbal enquanto exerciam a profissão. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e pelo Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB). A divulgação aconteceu nesta terça-feira, 10 de fevereiro, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
O levantamento do CRM-PB ouviu 611 médicos em 2025. Além dos médicos que dizem ter sofrido violência verbal enquanto exerciam a profissão na Paraíba, cerca de 10% também afirmam ter sofrido violência física em ambiente de trabalho. Mais de 60% dos profissionais ouvidos também informaram ter sofrido violência moral. Além disso, 5,2% sofreram violência sexual.
Já os dados do Simed-PB mostram que 90% dos médicos pediatras que atuam em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de João Pessoa se sentem inseguros no ambiente de trabalho. O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, disse que a maior parte das violências acontece contra médicas mulheres. Principalmente, isso ocorre em ambientes de urgência, nas UPAs e nas unidades básicas.
Violência
Em todo o Brasil, mais de 4,5 mil boletins de ocorrências foram registrados nas delegacias de Polícia Civil dos estados brasileiros e do Distrito Federal por situações como ameaça, injúria, desacato e lesão corporal em unidades de saúde. Por consequência, se sofrem 12 agressões diariamente por profissionais de saúde em ambiente de trabalho.
Um evento vai debater, nesta terça-feira, 10 de fevereiro, em João Pessoa, possíveis soluções e ações que consigam mudar a realidade de violência sofrida por profissionais da área da saúde. Além disso, uma resolução que estabelece medidas de segurança em unidades de saúde, como o botão do pânico, se debaterá.
“Não é só dos médicos que estamos falando. É do maqueiro, recepcionista, nutricionista, enfermeiro, técnico de enfermagem… Toda a cadeia que faz as pessoas se recuperarem, inclusive o médico”, afirmou o presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza.