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Consideraram Sheikh Hasina, ex-primeira-ministra de Bangladesh, culpada por ordenar a repressão violenta de protestos estudantis em 2024 – Foto: Getty

A ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, se condenou à pena de morte nesta segunda-feira, 17 de novembro, por crimes contra a humanidade. Ela se considera responsável pela violenta repressão a protestos estudantis ocorridos em 2024. O julgamento, conduzido pelo Tribunal de Crimes Internacionais de Bangladesh, em Daca, durou meses.

Conforme a Reuters, o tribunal concluiu que “todos os elementos constitutivos de um crime contra a humanidade se comprovaram”, nas palavras do juiz Golam Mortuza Mozumder, que impôs a pena máxima. Hasina não estava presente na audiência, pois fugiu para a Índia em agosto de 2024. Ela ainda poderá recorrer da decisão à Suprema Corte do país.

A condenação ocorre mais de um ano após a repressão aos protestos da Geração Z, movimento formado por estudantes que se mobilizaram contra um sistema de cotas considerado discriminatório. As manifestações, realizadas entre julho e agosto de 2024, foram duramente contidas pelas forças de segurança. Conforme estimativas da ONU, mais de mil pessoas morreram e milhares ficaram feridas. Isso configura o episódio mais violento em Bangladesh desde a guerra de independência, em 1971.

Julgamento

Durante o julgamento, os promotores afirmaram ter encontrado provas de que Hasina deu ordens diretas para o uso de força letal contra os manifestantes. A defesa, representada por um advogado nomeado pelo Estado, alegou que as acusações tem motivos politicos e pediu a absolvição da ex-líder.

De fora do país, Hasina divulgou uma nota dizendo que o veredito é “enviesado e sem base legal”. Ela afirmou que não teve acesso a uma defesa justa e negou ter planejado qualquer ataque contra civis. Segundo a ex-premiê, o governo “perdeu o controle da situação”, mas “não é possível caracterizar o que ocorreu como uma ação premeditada”.

O caso reacende tensões políticas em Bangladesh às vésperas das eleições parlamentares, marcadas para fevereiro de 2026. Impediram o partido de Hasina, a Liga Awami, de participar do pleito, o que aumenta o risco de novos protestos e instabilidade.

O filho da ex-primeira-ministra, Sajeeb Wazed, afirmou à Reuters que a família não pretende recorrer da decisão “enquanto o país não tiver um governo democraticamente eleito”.

Os protestos de 2024 tiveram como estopim o sistema de cotas que reservava um terço das vagas em cargos públicos para familiares de veteranos da guerra de independência. A medida, vista como injusta por jovens desempregados, provocou semanas de manifestações em todo o país.

De acordo com a ONU, entre 15 de julho e 5 de agosto de 2024, até 1.400 pessoas podem ter morrido. Milhares ficaram feridas, a maioria atingida por tiros das forças de segurança.

Notícias ao Minuto

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