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O presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso para republicanos da câmara dos EUA — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Um grupo de países europeus está discutindo planos para reforçar sua presença militar na Groenlândia para fazer frente às ameaças de anexação feitas pelo presidente dos Estados UnidosDonald Trump, revelou a agência de notícias norte-americana Bloomberg no domingo, 11 de janeiro.

Conforme a Bloomberg, a iniciativa está sendo liderada pelo Reino Unido e pela Alemanha. O objetivo é mostrar a Trump que a Europa leva a sério a segurança no Ártico. Os alemães irão propor a criação de uma missão conjunta da Otan para proteger a região do Ártico. Fontes familiarizadas com os planos afirmaram isso à agência.

Reforços

Um porta-voz do governo da Alemanha afirmou nesta segunda-feira, 12 de janeiro, que a Otan está discutindo o fortalecimento adicional da segurança no Ártico. Isso se dá por conta da investida de Trump para tomar a Groenlândia, que pertence à Dinamarca. A ideia seria amenizar preocupações de segurança dos EUA na região. O ministro da Defesa da Bélgica afirmou à agência de notícias Reuters que há necessidade de “uma operação da Otan no extremo norte.” Isso faz referência ao Ártico.

O presidente norte-americano, Donald Trump, realiza uma investida para tornar a Groenlândia, uma ilha do Ártico que pertence à Dinamarca, parte dos EUA. O presidente norte-americano chegou até a sugerir estar disposto a sacrificar a Otan —da qual os EUA e a Dinamarca fazem parte— pela ilha do Ártico. Isso gerou temor de que a existência da aliança militar estaria ameaçada.

Diante das ameaças de Trump, a Europa corre contra o tempo e prepara, desde semana passada, um plano para o caso do presidente norte-americano de fato ordenar uma invasão militar à Groenlândia. Ainda não se sabe quais países participariam do plano além da França e da Alemanha.

Planos de Trump

Trump disse na sexta-feira que os Estados Unidos precisam ser donos da Groenlândia para impedir que a Rússia ou a China a ocupem no futuro. Ele afirmou diversas vezes que embarcações russas e chinesas estão operando perto da ilha, algo que países nórdicos desmentiram.

Ao mesmo tempo em que Trump faz ameaças militares à Groenlândia e troca ameaças com os europeus, a Casa Branca trabalha também com outra via para adquirir a ilha, por meio da compra. O secretário de Estado, Marco Rubio, vai receber líderes dinamarqueses e groenlandeses em Washington D.C. nesta semana para discutir as possibilidades.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou no domingo que seu país, a Europa e os aliados se encontram em uma “encruzilhada” diante da crise com os EUA sobre o controle da Groenlândia. Ela reiterou que o mundo como conhecemos acabará se Trump decidir tomar a ilha à força.

“Estamos em uma encruzilhada e este é um momento decisivo. Se os americanos derem as costas à aliança ocidental ao ameaçarem um aliado, então o mundo irá parar”, disse Frederiksen durante um evento de Ano Novo do Partido Social Liberal, segundo a emissora TV2.

Frederiksen, que admitiu não conversar com Trump sobre a Groenlândia desde janeiro do ano passado, disse que a Dinamarca deixará claro que não fará concessões em “valores fundamentais” durante a reunião com Rubio, porém sem dar mais detalhes. Anteriormente, a premiê dinamarquesa disse que a ilha não está à venda e que continuará sob sua tutela.

Em meio às ameaças de Trump, a Otan compartilhou em suas redes sociais nos últimos dias imagens de soldados da aliança militar no Ártico. Os registros seriam prévios a um exercício militar marcado apenas para março na região.

Trump diz estar disposto a sacrificar a Otan pela Groenlândia

Trump disse na semana passada ao jornal norte-americano “The New York Times” que quer integrar a Groenlândia aos EUA mesmo que isso coloque em risco a existência da Otan. Ele afirmou que “não precisa” do direito internacional.

A fala de Trump é mais um capítulo da sua investida para controlar a ilha do Ártico, que pertence à Dinamarca. Isso escalona ainda mais as tensões com a Europa. O presidente norte-americano quer adquirir a Groenlândia “porque é isso que eu sinto ser psicologicamente necessário para o sucesso”, disse ao “New York Times”.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta semana que um ataque dos EUA à Groenlândia significaria o fim da Aliança Militar do Atlântico Norte —formada após a Guerra Fria e fundamental para a defesa europeia. Especialistas avaliam que a investida de Trump já está impactando a coesão da Otan.

Defesa Europeia

A Europa, inclusive, está preparando um plano de ação para caso Trump materialize suas ameaças de tomar a Groenlândia. Ainda não se sabe detalhes do plano, além de que ele inclui a França e a Alemanha. Faz sentido que a Dinamarca, por ser responsável pela ilha, esteja envolvida.

A Casa Branca afirmou nesta semana que Trump quer comprar a Groenlândia, mas que não descarta o uso da força militar caso julgue necessário. Segundo a agência de notícias Reuters, o governo Trump está considerando oferecer até US$ 100 mil (cerca de R$ 540 mil) para cada habitante da Groenlândia que apoie a anexação da ilha pelos EUA. 

Trump também afirmou ao jornal norte-americano acreditar que seus poderes como presidente dos EUA “se limitam apenas à sua própria moralidade” e que ele “não precisa” do direito internacional.

Essa fala de Trump descartando o direito internacional, regulamentado por instituições multilaterais como a ONU e que rege o mundo pós-2ª Guerra Mundial, encaixa com a interpretação de uma nova ordem mundial que, segundo especialistas ouvidos pelo g1, está se formando. Nessa nova ordem, bipolar com EUA e China à frente, essas potências econômicas têm demonstrado a intenção de expandir seus territórios por meio de ações concretas.

Trump quer comprar Groenlândia, diz Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera fazer uma oferta para comprar a Groenlândia, informou a Casa Branca nesta quarta-feira, 7 de janeiro. A iniciativa ocorre apesar de a população da ilha afirmar que o território não está à venda.

Trump também se recusa a descartar o uso da força para assumir o controle da ilha, considerada estratégica no Ártico. As declarações causaram reação negativa na Dinamarca e em outros aliados europeus dos Estados Unidos.

Após pedido da Dinamarca, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que vai se reunir na próxima semana com representantes do país.

“Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Vamos participar. Pedimos uma reunião”, afirmou a ministra Vivian Motzfeldt à TV pública local.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump discute “ativamente” com a equipe a possibilidade de compra da Groenlândia. A área dessa ilha é aproximada à do Alasca, maior estado americano.

Conforme ela, o presidente avalia que a medida serviria para conter a influência da Rússia e da China no Ártico. Leavitt afirmou que a opção preferencial de Trump é a diplomacia, mas não descartou o uso da força.

O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, disse não ter conhecimento de planos de envio de tropas à Groenlândia. Segundo ele, não há discussões sobre ação militar, e o foco estaria em canais diplomáticos.

Johnson afirmou, no entanto, que não foi informado previamente sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Desde então, Trump fez ameaças de intervenção em Cuba, Groenlândia, Irã, México e Colômbia.

G1

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