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Temas relevantes como “pejotização” e “uberização” devem dominar as discussões do setor no próximo ano – Foto: Katrin Bolovtsolova/Pexels

Mais um ano termina sem que se tenha decisões cruciais para a Justiça do Trabalho. Isso joga para 2026 temas de forte impacto no mercado como “pejotização” e a regulamentação das relações de trabalho em plataformas digitais, a chamada “uberização”.

De acordo com especialistas ouvidos pelo InfoMoney, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) até tentou arrumar a casa. Eles uniformizaram algumas decisões e ajustaram a jurisprudência para que não mais conflitasse com as mudanças trazidas pela Reforma Trabalhista de 2017. A ideia foi padronizar teses vinculantes e, assim, diminuir contradições. Dessa forma, dariam mais clareza às regras que orientam as relações de trabalho.

Mas a queda de braço entre a Justiça do Trabalho e o Supremo Tribunal Federal (STF) continuará no próximo ano. Isso ocorre especialmente por causa dos dois temas cruciais. Eles impactam diretamente milhões de trabalhadores brasileiros, que hoje atuam de forma terceirizada ou ligados às plataformas de serviços.

Mercado Brasileiro

Para o advogado Marcos Poliszezuk, fundador do escritório Poliszezuk Advogados, o mercado de trabalho brasileiro atravessa uma reconfiguração acelerada. A adoção de arranjos contratuais flexíveis, como as contratações via pessoa jurídica e de plataformas digitais, convive com altos níveis de informalidade. Além disso, há pressão por competitividade. “O desafio para 2026 será harmonizar a liberdade negocial e a organização produtiva com proteção contra fraudes”, explica. Ele acredita que será essencial fixar balizas objetivas para distinguir prestação empresarial autêntica de ‘emprego disfarçado’.

Conforme a advogada Gislaine Santos, sócia do Santos Viana Advogados, a aprovação de 69 novas teses foi importante. Elas passam assim a orientar obrigatoriamente todos os juízes trabalhistas. “Esses entendimentos tratam de questões muito presentes no dia a dia das empresas e dos trabalhadores. Incluem assuntos como o enquadramento de cargos de confiança, adicionais de insalubridade e periculosidade, teletrabalho, dentre outros. Dessa forma, ajudam os juízes a definir melhor as decisões”, explica.

De acordo com o advogado Felipe Mazza, do EFCAN Advogados, isso certamente ajuda a reduzir a dispersão das decisões. Além disso, melhora a previsibilidade para todos os participantes desse sistema. Ele acrescenta que o Supremo, em 2025, foi menos sobre “resolver tudo” e mais sobre consolidar alguns trilhos. Deixaram outros processos em compasso de espera. “As decisões que ficaram para 2026 são mais explosivas, porque o STF precisará esclarecer onde termina a liberdade contratual. Também precisará definir onde começa a subordinação disfarçada”, afirma Mazza.

O advogado Fernando Zarif, especializado em Direito do trabalho e sócio do Zarif Advogados, concorda que as grandes decisões ficaram mesmo para 2026. “Isso ocorre porque tudo que for acertado terá um impacto profundo no modelo de negócios da economia compartilhada e na proteção social dos trabalhadores”, disse.

Saúde mental

Gislaine Santos chama atenção para um tema que ganhou musculatura em 2025 e tende a ficar maior em 2026: a saúde mental no trabalho. “Com aumento de ações envolvendo assédio e responsabilização empresarial, cresce a necessidade de reforço de exigências internas de prevenção. É necessário gestão de riscos e documentação, especialmente em empresas com ambientes de alta pressão e metas agressivas”, explica.

Entre 2020 e 2024, a Justiça do Trabalho, em todas as suas instâncias, recebeu 458.164 novas ações. Elas envolvem pedidos de indenização por dano moral decorrente de assédio moral no trabalho. Entre 2023 e 2024, esse número cresceu 28%, passando de 91.049 para 116.739 processos.

Principais temas para 2026

1) Pejotização e modelos “híbridos” de contratação
A tendência é 2026 virar o ano das “linhas de contorno”: determinar o que é prestação de serviço legítima entre partes autônomas e o que é emprego mascarado. O mercado quer previsibilidade. A Justiça do Trabalho quer ferramenta para coibir fraude. O STF será pressionado a entregar critérios mais objetivos.

2) Plataformas digitais e a “subordinação algorítmica”
O conflito central deve seguir: autonomia real vs. controle por aplicativo (tarifas, metas, bloqueios, ranqueamento, distribuição de chamadas). A decisão que vier será relevante não só para motoristas e entregadores, mas para qualquer setor que use gestão automatizada.

3) Precedentes no TST
Com a máquina de teses já aquecida, 2026 tende a ser o ano. As empresas sentirão mais o efeito prático da revisão estabelecida pelo TST. Isso inclui políticas de jornada, pagamento de adicionais, regras de rescisão, desenho de cargos de confiança e gestão de risco em terceirização. Assim, o contencioso repetitivo deixa de ser loteria e vira mais planilha.

Como as empresas podem se preparar:

Os advogados convergem num ponto: quem espera “a decisão final” para agir tende a pagar mais caro. Para entrar em 2026 com menos sustos, o caminho é:

Escala 6 x 1

Fora da Justiça Trabalhista uma decisão importante também irá mobilizar o Direito do Trabalho. Isso porque o Congresso deixou para 2026 a discussão sobre a chamada escala 6 x 1. Nesse regime, o empregado trabalha seis dias consecutivos com um dia de descanso semanal. O modelo é amplamente adotado nos setores de comércio, serviços, saúde e atividades operacionais contínuas. O tema foi um dos que mais levantaram debates ao longo de 2025 e deve continuar no próximo ano. Isso é o que acredita a advogada especializada em Direito do Trabalho Zilma Aparecida da Silva Ribeiro, do escritório Lopes Muniz Advogados.

Em 10 de dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou Emenda Constitucional nº 148/2015. Esta propõe a alteração da Constituição Federal para reduzir a jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas. A previsão é que haja dois dias de descanso por semana, o que implicará a extinção da escala 6 x 1. O texto prevê um período de transição de quatro anos. No primeiro ano após a promulgação, a jornada máxima será reduzida de 44 para 40 horas semanais. Nos anos  subsequentes, haverá redução de uma hora por ano, até o limite de 36 horas. A proposta assegura, ainda, que a redução da jornada não poderá acarretar diminuição salarial.

A aprovação da PEC na CCJ ainda será submetida à votação em dois turnos no Plenário do Senado. Se aprovada, ela será encaminhada à Câmara dos Deputados. Este processo sinaliza uma mudança de paradigma. Isso está alinhado à tendência de revisão dos modelos tradicionais de organização da jornada de trabalho, segundo Zilma.

InfoMoney

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