
O primeiro ciclone extratropical de 2026 está se formando entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul. Ele deve atingir a região Sul durante o final de semana. Isso ocorre devido a uma frente fria que se aproxima da região. Esta frente vai provocar fortes chuvas e rajadas de vento durante os próximos dias.
Conforme entrevista ao Terra, Rafael Le Masson, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que a formação desse fenômeno deve ocorrer entre o começo da noite de sexta-feira, 9, até a madrugada de sábado, 10 de janeiro.
Com isso, a previsão é que possa ocorrer:
- Pancadas de chuvas;
- Descargas elétricas;
- Rajadas de ventos e ventos constantes;
- Chuva de granizo.
“ Em todo o Rio Grande do Sul, a gente pode ter rajadas. Agora, se a gente for elencar, principalmente na fronteira com aquele cantinho ali da Argentina, ventos bem intensos de até 130 quilômetros por hora”, explica. O ciclone ainda deve avançar, chegando à Santa Catarina e até ao Mato Grosso do Sul.
“Inclusive, em Santa Catarina, ele vem em sistemas de vento se deslocando ali do Paraguai. Passando naquele cantinho da Argentina e chegando na borda do oeste do Estado”, aponta. Os principais riscos são os danos provocados pelos ventos. Além disso, podem ocorrer alagamentos pontuais caso tenha um grande volume de chuva por hora. É importante que a população esteja abrigada em local seguro.
Ao longo de sábado e domingo, o ciclone já deve chegar ao oceano, assim se afastando da região, não chegando a outros lugares, como no Sudeste. O meteorologista menciona que o estado de São Paulo vai experimentar os ventos associados ao que o ciclone provoca, além das chuvas. Isso deve ocorrer até domingo, 11 de janeiro.
Como o ciclone extratropical se forma?
Os ciclones extratropicais são mais comuns no outono e no inverno. Contudo, também podem ocorrer no verão no Rio Grande do Sul. A meteorologista Andrea Ramos explica que esse fenômeno é um sistema de baixa pressão. Ele se forma devido ao encontro de massas de ar com características distintas. São, por exemplo, ar frio e seco de origem polar e ar quente e úmido de origem tropical.
“Esse contraste gera frentes frias e quentes que se organizam ao redor do centro de baixa pressão, dando origem a um sistema assimétrico”, aponta.
Diferente dos ciclones tropicais, que dependem da energia liberada pela evaporação, os ciclones extratropicais são alimentados pelo gradiente térmico entre as massas de ar. Isso ocasiona tempestades associadas a pancadas de chuva, descargas elétricas, ventos fortes constantes, rajadas de vento e chance de granizo.