
O ator e diretor Gracindo Jr. morreu na noite desta terça-feira, 1 de setembro, em casa, no Rio de Janeiro. Ele tinha 83 anos, dos quais mais de 50 anos foram dedicados à arte no teatro, rádio e cinema — e participou da inauguração da Globo, em 1965.
A informação do falecimento foi confirmada por Pedro Gracindo, filho do artista. A morte foi por causas naturais.
O velório, aberto ao público, está previsto para esta quinta-feira, 3 de setembro, no Crematório e Cemitério da Penitência, a partir das 12h10. A cremação foi marcada para as 14h10.
Ele deixa 5 filhos, 7 netos e a esposa, Daisy Poli, com quem estava havia mais de 50 anos.
Filho de Paulo Gracindo
Epaminondas Xavier Gracindo nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de maio de 1943, filho de outro ator consagrado, Paulo Gracindo (1911-1995).
Embora tenha cursado Psicologia, nunca exerceu a profissão, optando por se dedicar integralmente à arte.
Em 1959, aos 15 anos, Gracindo Jr. fez um teste para trabalhar na Rádio Nacional, onde o pai já fazia sucesso como galã de radionovelas e apresentador de programas de auditório.
O filho foi aprovado e foi ator, redator e disc-jóquei na emissora.
Em 1961, em paralelo às funções na rádio, estreou no teatro na peça “A Escada”, de Oswald de Andrade.
Pioneiro da Globo
Em 1965, foi inaugurada a TV Globo. Em entrevista ao Memória Globo, o ator disse: “Eu entrei no início da TV Globo. Ela estreia em abril de 1965, em dezembro de 1964 eu já estava contratado”.
Gracindo Jr. integrou o 1º elenco da emissora e participou de várias novelas dessa fase inicial, como “Rosinha do Sobrado”, “Padre Tião”, “A Rainha Louca”, “A Próxima Atração”, “Supermanoela” e “Os Ossos do Barão” — quando contracenou com Paulo Gracindo.
Pai e filho voltaram a dividir o set em “O Bem Amado”, de Dias Gomes, e em “O Casarão”, de Lauro César Muniz, quando interpretaram as versões jovem e idosa de João Maciel, protagonista da trama — o 1º grande papel de Gracindo Jr.
“O que eu mais aprendi com o meu pai foi responsabilidade no meu trabalho, estima pelo meu trabalho, saber que meu trabalho é uma coisa muito importante”, declarou.
“Meu pai trabalhou por 65 anos, e nunca me lembro dele não tendo feito sucesso, em qualquer área de comunicação. Foi um homem que passou em rádio, em circo, em televisão, em cinema, em tudo ele foi sucesso”, prosseguiu.
“A lembrança que eu tenho dele é dessa pessoa delicada, dessa pessoa amiga, solidária e que seu maior amor era o seu trabalho. Se o trabalho dele estivesse bem-feito, ele estava feliz na vida.”
Gracindo Jr. atuou também em sucessos como “Mandala”, “O Salvador da Pátria”, “Rainha da Sucata”, “Deus nos Acuda”, “Explode Coração”, “Anjo de Mim”, “Esplendor” e “Celebridade”.
O artista também se consagrou como diretor. Ele dirigiu produções de sucesso como a novela “Marron-Glacé” e, em 1983, dirigiu o programa “Os Trapalhões”.
Gracindo Jr. também participou da criação e apresentação dos primeiros videoclipes de artistas brasileiros exibidos pelo Fantástico.
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