Antônio Silvino: O eterno ‘Rifle de Ouro’ do Cangaço

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A história do cangaceiro Antônio Silvino, também conhecido como “Rifle de Ouro”, é um relato intrigante sobre as lutas e reviravoltas do Sertão nordestino nas primeiras décadas do século XX. Sua trajetória, marcada por assaltos, perseguições e fugas espetaculares, é um capítulo fascinante da cultura brasileira.

Nascido em 2 de setembro 1875, em Afogados da Ingazeira, no estado de Pernambuco, ele cresceu em meio à dura realidade sertaneja, afetado pela seca e pela pobreza. A falta de perspectivas e as condições adversas levaram-no a adotar uma vida no cangaço desde jovem.

Cangaceiro Antônio Silvino e o seu grupo de bandoleiros – Foto: reprodução

Registrado como Manoel Baptista de Morais, na cidade de Afogados de Ingazeira, Pernambuco, Silvino teve uma juventude marcada por apelidos como Batistinha e Nezinho. Desde cedo, ele foi envolvido nas teias do cangaço, influenciado pelo próprio pai, que também era um bandoleiro das Caatingas nordestinas.

O que mudaria seu destino aconteceu quando ele tinha apenas 21 anos. Seu pai, Batistão de Pajeú, teve sua vida ceifada numa disputa por terras. A princípio, esse violento episódio acendeu a chama da vingança nos corações dos filhos, Manoel (que adotaria o nome Antônio Silvino, em homanegem a um tio) e Zeferino.

Então, movidos pela busca por justiça, os irmãos embarcaram em uma jornada pelo sertão, determinados a vingar o pai e a reivindicar suas terras. O que conseguiu, tirando a vida de Desidério, aquele que tinha sido o algoz do seu pai.

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A partir de 1896, o cangaceiro Antônio Silvino iniciou uma série de ataques a fazendas, vilas e cidades, espalhando o terror por onde passava, ou seja, sua fama de homem cruel logo se espalhou, mas também era conhecido por ser um líder carismático, capaz de conquistar seguidores leais. Seu bando cresceu e se tornou uma força temida no Sertão.

A casa da prima Teodulina, na rua Arrojado Lisboa, em Campina Grande, onde viveu até falecer em 1944 – Foto: reprodução

Juntamente com o bando, agiu em cidades da Paraíba, como: Fagundes, Pedra Lavrada (esteve em 1912 e 1913), Pocinhos, Monteiro, Esperança, Alagoa Grande e, tendo Campina Grande como centro das suas investidas, uma vez que havia coiteiros pela região e ainda possuía amizade com fazendeiros locais.

Antes da Era Lampião, nenhum cangaceiro teve a força que Silvino criou, superando o nome até de Jesuíno Brilhante, nome forte no Cangaço. Porém, Antônio tinha um diferencial, pois muitas vezes ele mostrava ter uma consciência social maior que a de Virgulino.

Assim, Silvino foi alvo de perseguições volantes dos estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas por diversos anos, mas sempre conseguiu escapar com seus atalhos pela Caatinga.

Na Paraíba, o major Joaquim Henriques foi o seu principal perseguidor.

Mas, logo depois de um ataque a cidade de Taquaritinga, no estado de Pernambuco, em 1914, que a saga de Antônio Silvino teve um ponto final, quando, ele foi finalmente capturado pelo delegado do município, o alferes Teófanes Torres.

Posteriormente, o cangaceiro foi julgado e condenado à prisão, sendo enviado para o Recife, se tornando o prisioneiro 1122. A vida na prisão transformou-o profundamente. Ele se redimiu, deixando para trás a violência do cangaço. Lá, Antônio Silvino aprendeu a ler e escrever e se dedicou à religião.

Antônio Silvino (de chapéu) ao sair da casa de detenção – Foto: reprodução

Nesse ínterim, quando estava cumprindo sua pena, um indulto do presidente Getúlio Vargas, soltou Antônio Silvino em 1937, após 23 anos de prisão. A reintegração do bandoleiro à sociedade foi marcada pela busca da paz e da redenção. A partir daí, ele viveu uma vida modesta na casa da prima Teodulina Cavalcante, em Campina Grande, onde faleceu por volta das 19h00, do dia 28 de julho de 1944, coincidentemente seis anos após Lampião tombar na grota do Angicos, no estado do Sergipe.

Dessa forma, da casinha de taipa que ele morou e faleceu, Antônio partiu para ser sepultado no cemitério do Monte Santo, na mesma cidade.

Pouco depois, cerca de dois anos e meio após seu falecimento, seus ossos foram transferidos para um local desconhecido dentro do cemitério, por motivos desconhecidos.

Por fim, cangaceiro Antônio Silvino teve oito filhos de várias mulheres. Sua última esposa lhe gerou quatro, dos oito filhos.

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