
Após a descoberta de uma roupa destruída ou a quina de um móvel toda mastigada, a cena de um cachorro com uma postura cabisbaixa enquanto o dono dá uma bronca pela travessura pode ser bem comum em lares com pets. Além disso, alguns até falam que o companheiro de quatro patas “sabe que fez coisa errada”.
Agora, um pequeno estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, na Áustria sugeriu que cães podem “ter seu equilíbrio alterado” ao ouvir vozes humanas felizes ou raivosas. No entanto, as vozes raivosas se associaram aos maiores efeitos desestabilizadores.
O estudo se publicou em 28 de janeiro na revista científica PLOS One, e contou com experimentos feitos em 23 cães de estimação de diferentes raças.
Polígrafo canino?
Para nos orientarmos no ambiente, utilizamos nossos sentidos para ver, ouvir e sentir o que está acontecendo ao redor. Essas informações são importantes para que os músculos mantenham o corpo numa postura estável e para que possamos realizar atividades físicas sem perdermos o equilíbrio. Não é tão diferente com os cachorros.
Os animais do estudo foram colocados para ouvir gravações de vozes humanas enquanto ficavam sobre uma plataforma com 15.360 sensores de pressão. Esses sensores eram capazes de detectar os mais sutis movimentos correspondentes a parâmetros relacionados ao equilíbrio.
Em frente aos pets, uma televisão reproduzia gravações de vozes de homens e mulheres por alto-falantes. Entre os os participantes, as raças variavam de border collies a golden retrievers, passando por labradores e cães sem raça definida.
O som como efeito desestabilizador
Em comparação ao silêncio, os experimentos mostraram que o cão, ao ouvir vozes mais irritadas, apresentavam valores mais altos de um parâmetro conhecido como superfície de apoio. Isso significa que eles ocupavam uma maior área da plataforma para manter o equilíbrio. Trata-se de um sinal associado a desestabilização corporal.
Pode-se imaginar que, ao som de vozes felizes, os pets apresentaram um comportamento oposto, mas isso não foi verdade. Eles também tiveram altos níveis de desestabilização: cerca de 57% demonstraram desestabilização, enquanto 43% ficaram parados e equilibrados.
Os resultados com as vozes raivosas se destacam pelo fato de que elas foram responsáveis por causar uma desestabilização severa em cerca de 30% dos cães. Portanto, esse é um indício que esse tipo de tratamento pode causar nítidas excitações emocionais capazes de influenciar no equilíbrio dos caninos.
Conforme comunicado, os pesquisadores defendem que mais estudos são necessários para saber se existem outros fatores para estabilização e desestabilização além do tom da voz humana. Além disso, experiências anteriores ou julgamentos antecipatórios são alguns fatores que devem ser colocados em consideração nas próximas pesquisas.