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Roberto Sánchez, ex-ministro de esquerda, e a rival Keijo Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori – Foto: DW / Deutsche Welle

O esquerdista Roberto Sánchez mantém uma leve vantagem sobre a direitista Keiko Fujimori na apuração das eleições presidenciais no Peru, enquanto se aguarda a contagem dos votos emitidos no exterior, que podem ser decisivos para determinar o próximo chefe de Estado do país andino.

Com 95,606% dos votos de domingo já contabilizados, Sánchez tem uma vantagem apertada sobre Fujimori, segundo relatório do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

No resultado divulgado às 2h55 (4h55 em Brasília) desta terça-feira, 9, o candidato de esquerda recebe 50,084% dos votos, enquanto a candidata de direita soma 49,916%.

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Em números absolutos, isso significa que Sánchez possui menos de 30 mil votos a mais que Fujimori, alcançando 8.899.257 votos contra 8.869.481 de sua adversária eleitoral.

Os números apertados confirmam que o resultado das eleições no Peru será definido voto a voto, já que ainda faltam ser apurados os votos do exterior, onde se espera que Fujimori obtenha o maior apoio, e das áreas rurais, onde é provável que Sánchez conquiste a maioria dos votos.

O Ministério das Relações Exteriores do Peru informou que a chegada ao país das atas de votação do exterior será concluída na próxima quarta-feira. Essas atas correspondem a 2.506 mesas eleitorais instaladas em 73 países.

Além disso, foi informado que há 1.513 atas pendentes de envio aos júris eleitorais especiais (JEE) por apresentarem algum tipo de contestação ou observação, que deverão ser resolvidas em primeira instância. Depois disso, muitas poderão ser encaminhadas ao Júri Nacional de Eleições (JNE) para uma decisão final.

Nesse cenário, Sánchez declarou-se “confiante e otimista” quanto à possibilidade de vencer a eleição, mas insistiu que é preciso esperar pela conclusão total da apuração.

Os primeiros votos contabilizados foram depositados, em maioria, nas grandes cidades, onde Fujimori tende a ser a favorita dos eleitores.

Sánchez, enquanto isso, encontra maior apoio nas zonas rurais, cujos votos costumam ser apurados por último, junto com os votos do exterior, que, por sua vez, favorecem a candidata de direita.

Candidatos prometem respeitar resultado

O líder do partido Juntos pelo Peru, que disputa em nome do ex-presidente preso Pedro Castillo (2021-2022), fez um “apelo categórico a todos os agentes políticos para respeitarem o resultado, seja ele qual for, porque o Peru precisa de estabilidade”.

Fujimori também fez um apelo à “tranquilidade e serenidade” para aguardar o fim da contagem, cujos resultados, afirmou, respeitará “sejam quais forem”.

A filha e herdeira política do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000) destacou que o resultado demonstra “uma grande divisão entre os peruanos, e cabe aos partidos políticos e seus dirigentes construir as pontes necessárias”.

“Tenho muita fé e muita gratidão. Todos os líderes políticos que têm partidos com representação no Parlamento precisam dialogar. Os peruanos nos deram esse mandato, e é isso que corresponde”, afirmou.

Projeções anteciparam empate técnico

O empate técnico já havia sido antecipado na noite de domingo pelas projeções das empresas de pesquisa, que confirmaram a leve vantagem de Sánchez depois que as pesquisas de boca de urna apontaram Fujimori na frente no fechamento das urnas.

Uma amostra elaborada com atas oficiais pela empresa Ipsos para a Associação Civil Transparência, com margem de erro de 1,9%, atribuiu 50,3% a Sánchez e 49,7% a Fujimori. Já a empresa Datum Internacional indicou que Sánchez recebeu 50,14% e Fujimori 49,86%, com margem de erro de 1%.

Mais de 27,3 milhões de cidadãos foram convocados às urnas no domingo para escolher o próximo presidente do Peru para o período de 2026 a 2031, após uma fase de instabilidade política que levou o país a ter oito presidentes na última década.

Segurança pública dominou campanha

A insegurança é a preocupação central dos eleitores. Cerca de 70% dos peruanos esperam que o combate à criminalidade seja a prioridade do próximo presidente, segundo uma sondagem recente.

Lima, a capital peruana, registrou 23 homicídios para cada 100 mil habitantes em 2025, três vezes mais do que cinco anos antes. No Brasil, a taxa estimada pelo Atlas da Violência para 2024 foi de 20 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Fujimori diz que pretende mobilizar o exército para apoiar a polícia, desmantelar redes de extorsão e expulsar estrangeiros em situação irregular que tenham sido condenados por crimes. A sua plataforma política inclui ainda apresentar-se como a candidata da prosperidade, em oposição ao que ela descreve como os riscos do “comunismo”.

Sánchez, por sua vez, defende que o combate à criminalidade passa por reestabelecer a confiança nas instituições, reforçar o sistema judicial e reformar a polícia.

Legados de ex-presidentes

Filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori, Keiko, aos 51 anos, se candidata pela quarta vez consecutiva à Presidência, reivindicando o controverso legado do pai, condenado por corrupção e crimes contra a humanidade. Para apoiadores, seu governo foi sinônimo de estabilização da economia e a derrota das guerrilhas dos anos 1980 e 1990.

Já Sánchez, ex-ministro de 57 anos, concorre pela primeira vez, apoiado por uma base eleitoral nas regiões andinas, que se sente abandonada pelo poder central em Lima. A dois dias do primeiro turno, ele se tornou réu por supostas irregularidades no financiamento de campanha do seu partido entre 2018 e 2020.

O candidato de esquerda associa a sua imagem ao ex-presidente Pedro Castillo, detido desde uma tentativa fracassada de dissolver o Parlamento em 2022. Se eleito, Sánchez disse que lhe concederá o indulto.

Inicialmente apoiado por movimentos ultranacionalistas, o candidato moderou o discurso ao longo da campanha, sublinhando o consenso, a estabilidade e o respeito pelas instituições.

Nem Sánchez nem Fujimori dispõem de maioria parlamentar. O futuro presidente terá de formar alianças no mandato a partir de 28 de julho, que substituirá o atual presidente interino, José María Balcázar.

Na economia, o vencedor destas eleições receberá um país economicamente estável, com crescimento de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Sete em cada dez trabalhadores, entretanto, atuam na economia informal.

Enquanto Fujimori advoga pelo neoliberalismo, a propriedade privada e a atração de investimentos, Sánchez aposta numa maior presença do Estado na economia e nos aumentos salariais.

Terra

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