
As recentes demissões de duas jornalistas declaradamente progressistas, Daniela Lima e Eliane Cantanhêde, suscitaram boatos sobre a posição da Globo no espectro político.
A emissora estaria deslocando assim seu jornalismo líder de audiência ao centro após anos de conflitos com o bolsonarismo e discursos combativos contra a extrema direita.
Teria a intenção de se livrar da imagem de apoiadora da esquerda, ainda que faça recorrentes críticas e cobranças ao governo de Lula. Seria um reposicionamento editorial a pouco mais de 1 ano da próxima eleição presidencial.
Na prática, a GloboNews mantém há tempos canais abertos principalmente com nomes importantes da direita (ou extrema direita, se o leitor preferir).
Âncora do ‘Estúdio i’, Andreia Sadi conversou com Jair Bolsonaro pouco antes de o ex-presidente ser alvo de prisão domiciliar, e entrevistou o senador Flávio Bolsonaro em seu programa na semana passada.
Apresentadora do ‘Central GloboNews’, Natuza Nery falou com a deputada Carla Zambelli quando ela já estava foragida na Itália. Sabe-se que outros jornalistas do canal têm como fontes alguns dos líderes da tropa de choque do bolsonarismo.
O problema da GloboNews é a baixa pluralidade entre os comentaristas de política. A maioria possui discurso explicitamente progressista. Falta o contraponto: analistas com argumentos da direita clássica — a tal ‘direita democrática’, nome adotado no canal para separar conservadores de extremistas.
Apenas Merval Pereira e Joel Pinheiro são associados ao pensamento de direita. E, mesmo assim, se juntam, às vezes, aos colegas à esquerda. Merval, por exemplo, disse no ‘Estúdio i’ concordar com a decisão do presidente Lula de não telefonar para Donald Trump a fim de evitar ser humilhado.