
A “melhor amiga” de vítima de estupro coletivo que ficou paraplégica e morreu por eutanásia na quinta-feira (26/3) foi a um hospital de Barcelona (Catalunha, Espanha) uma hora antes do procedimento que encerraria a vida de Noelia Castillo, numa tentativa desesperada de impedi-lo.
Carla Rodríguez chorava copiosamente enquanto implorava à segurança do hospital para ver a jovem de 25 anos no último esforço para fazê-la mudar de ideia — mas os policiais a impediram de entrar na sala para se despedir e fazer seu apelo, de acordo com imagens registradas pelo “OKDiario”.
“Eu queria tentar convencê-la a mudar de ideia”, lamentou Carla, que estava acompanhada da sua filha, de 6 anos.
Amiga estava incosolável
Embora as duas tivessem perdido contato ao longo dos anos depois de frequentarem a escola Santa Eulalia, a amiga inconsolável disse que soube da trágica decisão de Noelia pelo noticiário e correu para o hospital, determinada a impedi-la a todo custo, relatou o veículo. Carla, entretanto, foi criticada nas redes sociais por ter procurado a “melhor amiga” apenas nos seus momentos finais.
“Noelia passou por tanta coisa, tanta coisa mesmo”, acrescentou Carla.
“O hospital respeitou a decisão de uma pessoa adulta que não queria ninguém no seu quarto. Qual é o problema?”, opinou um usuário do X, onde a reportagem repercutiu fortemente.
“Todo mundo quer ser o centro das atenções às custas da Noelia. Ela finalmente está descansando. É repugnante ver todo esse drama em torno dela”, criticou outro.
“Tanto show… Depois de toda essa confusão, por que ela não foi ver a amiga antes e esperou até o último dia? Só para causar alvoroço e ter seus cinco minutos de fama?”, questionou um terceiro.
“E a transferiram para outro centro simplesmente para mantê-la isolada daqueles que poderiam fazê-la mudar de ideia… Isso é simplesmente ATERRORIZANTE”, postou uma outra pessoa.
Medicação
Noelia recebeu medicação para pôr fim à sua vida numa clínica catalã, após uma longa batalha judicial e dores crônicas que sofreu depois de uma tentativa de suicídio que a deixou paraplégica. O procedimento havia sido autorizado pela Justiça em 2024, mas foi suspenso por uma série de recursos.
“Quero partir agora e parar de sofrer, ponto final”, disse Noelia em entrevista na quarta-feira (25/3) ao programa “Y Ahora Sonsoles”, da emissora espanhola Antena 3. “Ninguém da minha família é a favor da eutanásia. Mas e toda a dor que sofri durante todos estes anos? Não tenho vontade de fazer nada: não saio de casa, não como. Dormir é muito difícil e tenho dores nas costas e nas pernas. Já disse a eles como quero que seja. Quero morrer bonita”, acrescentou ela.