
Jonathan Andic, filho mais velho de Isak Andic, está sendo investigado por suspeita de ter assassinado o próprio pai. A Justiça da Espanha afirmou nesta segunda-feira que existem “indícios suficientes” de que a morte do empresário não foi acidental.
Isak Andic foi o fundador da Mango, uma das maiores redes de roupas da Europa, conhecida internacionalmente por suas lojas de moda feminina, masculina e acessórios.
Segundo documentos judiciais obtidos pelo jornal El Español, as autoridades acreditam que Jonathan Andic, de 45 anos, teve uma “participação ativa e premeditada” na morte do pai, ocorrida em dezembro de 2024, durante uma trilha em uma região montanhosa próxima a Barcelona.
Os investigadores afirmam que o possível crime teria sido motivado por uma “obsessão” de Jonathan por dinheiro e herança.
A decisão judicial menciona um episódio em que Jonathan teria pressionado o pai a antecipar parte da herança ainda em vida.
Segundo o documento, Isak teria se sentido “obrigado” a aceitar parte das exigências para manter uma relação próxima com o filho, embora não fique claro se a divisão de patrimônio chegou a acontecer.
A versão contradiz depoimentos anteriores dados por Jonathan, nos quais ele afirmava ter uma boa relação com o pai e negava conflitos familiares relevantes.
A Justiça aponta ainda que a relação entre os dois teria piorado drasticamente em meados de 2024, quando Jonathan descobriu que Isak pretendia alterar o testamento e criar uma fundação beneficente voltada ao apoio de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Segundo os investigadores, a partir desse momento Jonathan teria mudado completamente de comportamento.
O documento afirma que ele tentou se reaproximar do pai e chegou a admitir que sua relação com dinheiro “não era saudável”.
Para a Justiça espanhola, a sequência de acontecimentos reforça a hipótese de motivação financeira para o suposto assassinato.
Os investigadores também apontam uma relação considerada “ruim” entre pai e filho, possível interesse financeiro ligado à fundação planejada por Isak, além de uma suposta manipulação emocional exercida por Jonathan.
Segundo o processo, Jonathan teria ainda registrado por escrito sentimentos de “ódio”, “ressentimento”, “pensamentos sobre morte” e culpa em relação ao pai.
Em determinado trecho, o documento afirma que o suspeito via apenas “uma solução” para seu problema financeiro: receber a herança enquanto o pai ainda estivesse vivo ou “apagar a memória” de Isak.
As suspeitas contra Jonathan começaram logo após a morte do empresário, durante os primeiros interrogatórios feitos pela polícia da Catalunha.
Segundo fontes ligadas ao caso ouvidas pelo jornal El País, o primeiro depoimento foi considerado “confuso” e emocionalmente instável. Já o segundo, apesar de mais calmo, apresentou contradições.
“A testemunha apresentou versões incompatíveis, deixou pontos obscuros e descreveu fatos incoerentes com a perícia feita no local”, afirmou uma fonte próxima da investigação.
As principais divergências envolvem o momento da queda de Isak Andic de uma encosta de aproximadamente 150 metros.
Jonathan afirmou que caminhava um pouco à frente do pai, próximo ao fim da trilha, quando ouviu pedras caindo. Ao olhar para trás, disse ter percebido que Isak havia despencado da montanha.
No entanto, dados extraídos dos celulares dos dois indicariam localizações e horários diferentes dos relatados pelo suspeito.
As suspeitas aumentaram ainda mais depois que investigadores descobriram que Jonathan havia visitado a região onde o pai morreu dois dias antes do ocorrido.
O empresário admitiu a visita, alegando que queria conhecer o percurso previamente para preparar a caminhada e garantir o bem-estar do pai.
Outro elemento considerado importante pela investigação surgiu após a autópsia de Isak Andic.
Segundo o jornal El Español, o exame apontou ausência de ferimentos nas mãos compatíveis com uma tentativa de se agarrar a algo ou se defender durante uma queda acidental.
Jonathan Andic foi detido nesta segunda-feira em Barcelona e levado ao Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, onde prestou depoimento a uma juíza.
Após a audiência, a Justiça fixou fiança de 1 milhão de euros para que ele não permanecesse preso preventivamente. O valor foi pago.
Além disso, Jonathan teve o passaporte apreendido, está proibido de deixar a Espanha e deverá se apresentar semanalmente às autoridades judiciais.